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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

DIDI E O CRIANÇA ESPERANÇA

Carta aberta, de Eliane Sinhasique, para Renato Aragão, o Didi. Dou nota DEZ para essa mulher....
Querido Didi,
Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu Nome para colar nas correspondências).
Achei que as cartas não deveriam sem endereçadas à mim. Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta. 
Não foi por 'algum' motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos). Você diz, em sua última Carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação. 
Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas mas, comigo não. Eu não sou ministra da educação, não ordeno e nem priorizo as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a freqüentar as salas de aula. A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da minha família. Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não Mata ninguém. Muito pelo contrário, faz bem! Estudei na escola da zona rural, fiz Supletivo, estudei à distância e muito antes de ser jornalista e publicitária eu já era uma micro empresária.
Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos! Sem falar dos Impostos embutidos em cada alimento, em cada produto ou serviço que preciso comprar para o sustento e sobrevivência da minha família.
Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois filhos merecem. Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais.
O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores, dessa dinheirama toda, não têm a educação como prioridade. Pois a educação tira a subserviência e esse fato, por si só não interessa aos políticos no poder. Por isso, o dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora, ou aplicando muito mal. Para você ter uma idéia, na minha cidade, cada alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda? Você pode ajudar a mudar isso! Não acha?
Você diz em sua carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de matemática. Concordo com você. É por isso que sua Carta não deveria ser endereçada à minha pessoa. Deveria se endereçada ao Presidente da República. Ele é 'o cara'. Ele tem a chave do cofre e a vontade política para aplicar os recursos. Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida das pessoas do país, sem nenhum tipo de distinção ou discriminação. Mas, infelizmente, não é o que acontece...
No último parágrafo da sua carta, mais uma vez, você joga a responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da 'minha' doação, que a 'minha' doação faz toda a diferença. Lamento discordar de você Didi. Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias.
Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar. Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho. Isso significa que o governo leva mais de um terço de tudo que eu recebo e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família.
Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam? Meu filho de 12 anos quer praticar tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida. Você acha isso justo? Acredito que não. Você é um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira. 
Outra coisa Didi, mande uma carta para o Presidente pedindo para ele selecionar melhor os ministros e professores das escolas públicas. Só escolher quem, de fato, tem vocação para ser ministro e para o ensino. Melhorar os salários, desses profissionais, também funciona para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação. Peça para ele, também, fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças possam além de ler, escrever e fazer contas possa desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem sim! Diga para ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos.
Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando... Eliane Sinhasique - Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari.

P.S.: Não me mande outra carta pedindo dinheiro. Se você mandar, serei obrigada a ser mal-educada: vou rasgá-la antes de abrir.

PS2.: Aos otários que doaram para o criança esperança. Fique sabendo, as organizações Globo entregam todo o dinheiro arrecadado à UNICEF e recebem um recibo do valor para dedução do seu imposto de renda. Para vocês a Rede Globo anuncia: essa doação não poderá ser deduzida do seu imposto de renda, porque é ela quem o faz.
PS3.: E O DINHEIRO DA CPMF QUE PAGAMOS DURANTE  11(ONZE) ANOS?
MELHOROU ALGUMA COISA NA EDUCAÇÃO E NA SAÚDE DURANTE ESSES ANOS?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

MÃOS CALEJADAS



MÃOS CALEJADAS
Jorge Linhaça
Mãos calejadas, que contam trocados,
Mãos esquecidas, pelos meio-fios
Fios da vida já tão esgarçados
Os desgraçados do nosso Brasil
São tantas as mãos de calos contados
Anos passados de forma servil
Cabos de enxada, o níquel suado
Grande riqueza essa gente não viu
Cobres contados pra comprar o pão
Arroz e feijão e a parca mistura
Come-se um dia, no outro já não...
Mesmo um bife, se torna fartura
Mãos calejadas, que contam trocados,
Mãos esquecidas, pelos meio-fios
Fios da vida já tão esgarçados
Os desgraçados do nosso Brasil
Segue-se a vida, cruel solidão
E o dilema no peito perdura:
Com quem estará aquele quinhão
Qu'oje lhe falta em meio à penúria?
Inda há quem diga que tal situação
É a colheita do qu'ele plantou
Não valorizam os calos na mão...
Os tantos anos de quem trabalhou
Foram-se os anos, o corpo cansado
Hoje lhe cobra a sua fatura
Órgãos; tecidos; ossos desgastados
Realidade tão dura e tão crua

Mãos calejadas, que contam trocados,
Mãos esquecidas, pelos meio-fios
Fios da vida já tão esgarçados
Os desgraçados do nosso Brasil
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Arandu,13 de agosto de 2010
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Contatos com o autor
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terça-feira, 10 de agosto de 2010

A NECESSIDADE FAZ O SAPO PULAR

(MARCO TÚLIO/http://wwwjurisway.org.br) 


Foi um amigo biólogo que certa vez me falou essa frase, bastante interessante, diga-se de passagem. Essa expressão simples acaba servindo de referência em muitos aspectos de nossa vida cotidiana.
       Algumas pessoas sempre deixam pra fazer tudo em cima da hora. Ou porque só conseguem agir sob pressão ou porque evitam qualquer tipo de planejamento prévio. Acaba que quando a situação é extrema a pessoa se concentra por pura necessidade.
        Basta analisarmos que nos empenhamos proporcionalmente à relevância do assunto que estamos lidando no momento. Se algo é vital para nós, resolvemos o mais rápido possível. Agora se não nos sentimos motivados ou pressionados, a primeira reação é de empurrarmos com a barriga.
        É comum ver pessoas apenas darem valor as coisas quando as perdem, ou quando estão na iminência de perdê-las. Pois neste último caso, é justamente a necessidade de nos mobilizarmos que nos move e estimula. O ideal é que não deixássemos chegar a esse nível, mas apenas quando sentimos necessidade que “pulamos” de cabeça no problema.
        Imaginemos um casal que não percebe a paulatina perda de romantismo; ou o empregado que perde a ambição de produzir mais e melhor; ou até mesmo uma pessoa que deixa de procurar pelos amigos e se deixa afastar aos poucos do seu círculo de relacionamentos. Em todos estes casos corriqueiros muitos só percebem o que se passa ao redor quando já é tarde demais.
        O planejamento e a reflexão são o que potencializa nossas diferenças em relação aos outros animais, que agem apenas por instinto. Uma pessoa que vive na base de improvisos, sem traçar metas ou perspectivas elimina sua capacidade de se organizar e se motivar. Em outras palavras, fica dependendo de necessidades aleatórias, que a forcem a tomar atitude.
      No mundo moderno não podemos ficar parados, esperando as oportunidades baterem a nossa porta. Precisamos estar atentos e, ao mesmo tempo, determinados a dar a real importância a tudo que nos cerca. Às vezes passamos horas, dias, meses ou até anos apenas criando expectativas. Esperando que a necessidade nos faça pular...